Experiência com Inclusão:
Escola: EMEI Cinderela - Sapiranga
Turma: Jardim A (4/5 anos)
Relato: Minha única experiência com inclusão aconteceu em 2006 quando iniciei com a turma de Jardim. A turma ficou a minha disposição somente no segundo semestre. Tinha uma cadeirante bastante sensível emocionalmente. Então fiquei paralelamente com a professora por duas semanas para que nos acostumássemos uma com a outra. Ela conversava, mas suas falas saíam disparadas e muitas vezes não havia entendimento. Num primeiro momento, observando suas atitudes, a professora (estagiária) e os próprios colegas, deu a impressão que ela era super protegida. Os trabalhos pedagógicos dela eram feitos pelos alunos. E sempre havia uma pequena discussão sobre quem faria os trabalhos para ela. Depois que assumi a turma, é que caiu a ficha mesmo. Nossa! E agora, o que faço para acompanhar a aluna... Tinha momentos muito gratificantes onde cantávamos, na hora das histórias, até uma apresentação fizamos e fomos apresentar em outra escola. Ela queria participar de tudo. Foi desgastante mas ao mesmo tempo gratificante. A menina tinha mais dificuldades para fazer os trabalhos porque ela tinha as mãozinhas viradas para trás o que dificultava segurar o material. Hoje, a menina estuda na escola ao lado e sempre que me enxerga na praça quer vir conversar e dar um abraço. Também já fiz algumas visitas à casa dela, pois a família dela é maravilhosa, auxilia ela em tudo, busca várias alternativas de ajuda e proporciona aulas especializadas, terapia com cavalo...
Acredito que foi uma boa experiência e que aprendi muito com a situação.
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INSTITUIÇÕES DO MUNICÍPIO DE SAPIRANGA QUE ATENDEM PNEES
APAE
Rua João Luderitz, 319, Centenário Sapiranga - RS
A APAE tem como missão promover e articular ações de defesa de direitos, prevenção, orientação, prestação de serviços e apoio às famílias, direcionadas a melhoria de qualidade de vida da pessoa com deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária.
DIRETORA: Rejane Moz
TOTAL DE ALUNOS ATENDIDOS EM 2009: 120 atendidos
ESCOLA ESPECIAL: 44 alunos
CAE - CENTRO DE ATENDIMENTO ESPECIALIZADO: 45 (inclusos)
CLÍNICA: 31 alunos
ÁREA TÉCNICA: na área técnica que conta com profissionais capacitados na área de serviço social, psicologia, fonoaudiologia, estimulação precoce, fisioterapia, neuropediatria. Além do atendimento individualizado e grupal ao cliente da Instituição.
A APAE AINDA OFERECE:
CICLOS DE APRENDIZAGEM: espaços e intervenções a fim de construir conhecimentos que possibilitem a autoria do pensamento no seu processo de criar, construir e aprender para que cheguem à alfabetização.
PROJETOS: esportes, expressão e dança, inclusão, empresa indusiva, literatura, psicopedagogia inicial, arte e artesanato, laboratórios de aprendizagem.
PROJETOS INCLUSÃO: parceria com a SMED, escolas municipais, creches municipais e escolas estaduais. Nesse projeto alunos municipais participam dos projetos oferecidos pela Instituição e tem acompanhamento clínico e pedagógico. Alunos da escola são encaminhados para escolas municipais de acordo com a série que estão aptos a frequentar.
Parcerias: APAE Sapiranga, SMED e EMEF Pastor Rodolfo Saenger.
Clientela do EJA: alunos que frequentam a APAE, divididos em duas turmas. As idades dos alunos variam de 18 a 34 anos.
Módulo 1 - 8 alunos
Módulo 2 - 12 alunos
As aulas acontecem nas segundas, terças e quintas-feiras à noite, das 18h45min às 21h45min.
Os profissionais são cedidos pelo município e as orientações e o respaldo legal são repassados via SMED, através da coordenadora do EJA, senhora Ilca Barros.
As orientações pedagógicas são feitas na APAE, através de reuniões e supervisões individuais.
NÚCLEO DE ATENDIMENTO AO EDUCANDO – NAE
O NAE foi criado em março de 2006. É mantido pela Secretaria de Educação de Sapiranga. Em março de 2008, o Núcleo passou a desenvolver suas atividades na EMEF Waldemar Carlos Jaeger.
Atualmente, o NAE atende em torno de 130 alunos oriundos das escolas municipais de Sapiranga, encaminhados pelas professoras e por uma avaliação da psicopedagoga itinerante através de uma ficha de encaminhado. Os alunos que ingressam no NAE apresentam dificuldades de aprendizagem, distúrbios de conduta, deficiência física, hidrocefalia, autismo, síndrome de sperger, síndrome de west, transtorno desafiador de oposição, deficiência mental leve, hiperatividade e outros. As crianças participam de oficinas e projetos no contraturno da escola, duas vezes por semana.
O objetivo do NAE é resgatar nos alunos a auto-estima, desenvolver diferentes habilidades e capacidades, assegurando o respeito em relação ao ritmo e as limitações de cada um.
Além do NAE, Núcleo de Atendimento ao Educando, temos o Pólo de Deficiências Visuais na EMEF 1º de Maio, que atende 4 cegos e 4 crianças de baixa visão. Duas destas crianças estudam na 5ª série e, em função de possuirem vários professores, eles recebem um atendimento individualizado, com uma professora qualificada. A escola está sendo adequada com livros, impressora braille, máquina de escrever em braille, material de matemática adaptado, entre outros. Os alunos recebem como apoio o transporte municipal.
Informações encontradas no site da APAE Sapiranga
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AS LEIS SOBRE DIVERSIDADE / INCLUSÃO
Várias leis e documentos internacionais estabeleceram os Direitos das pessoas com deficiência no nosso país. Relação de alguns deles:
1988
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
Prevê o pleno desenvolvimento dos cidadãos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; garante o direito à escola para todos; e coloca como princípio para a Educação o acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um.
1989
LEI Nº 7.853/89
Define como crime recusar, suspender, adiar, cancelar ou extinguir a matrícula de um estudante por causa de sua deficiência, em qualquer curso ou nível de ensino, seja ele público ou privado. A pena para o infrator pode variar de um a quatro anos de prisão, mais multa.
1990
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA)
Garante o direito à igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola, sendo o Ensino Fundamental obrigatório e gratuito (também aos que não tiveram acesso na idade própria); o respeito dos educadores; e atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular.
1994
DECLARAÇÃO DE SALAMANCA
O texto, que não tem efeito de lei, diz que também devem receber atendimento especializado crianças excluídas da escola por motivos como trabalho infantil e abuso sexual. As que têm deficiências graves devem ser atendidas no mesmo ambiente de ensino que todas as demais.
1996
LEI E DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LBD)
A redação do parágrafo 2o do artigo 59 provocou confusão, dando a entender que, dependendo da deficiência, a criança só podia ser atendida em escola especial. Na verdade, o texto diz que o atendimento especializado pode ocorrer em classes ou em escolas especiais, quando não for possível oferecê-lo na escola comum.
2000
LEIS Nº10.048 E Nº 10.098
A primeira garante atendimento prioritário de pessoas com deficiência nos locais públicos. A segunda estabelece normas sobre acessibilidade física e define como barreira obstáculos nas vias e no interior dos edifícios, nos meios de transporte e tudo o que dificulte a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios de comunicação, sejam ou não de massa.
2001
DECRETO Nº3.956 (CONVENÇÃO DA GUATEMALA)
Põe fim às interpretações confusas da LDB, deixando clara a impossibilidade de tratamento desigual com base na deficiência. O acesso ao Ensino Fundamental é, portanto, um direito humano e privar pessoas em idade escolar dele, mantendo-as unicamente em escolas ou classes especiais, fere a convenção e a Constituição.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
Prevê o pleno desenvolvimento dos cidadãos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; garante o direito à escola para todos; e coloca como princípio para a Educação o acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um.
FONTE DE PESQUISA:
REVISTA NOVA ESCOLA - EDIÇÃO AGOSTO 2007
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DADOS ESCOLA EMEI CINDERELA
Escola: EMEI CINDERELA
Endereço: Raposo Tavares 205 Vila Irma Sapiranga
Total de alunos: 182
Total Funcionários: 29
Turmas atendidas: 8 turmas (berçãrio, maternal 1, 2 e 3, Jardins Nível A e B)
Número de Inclusões: 1 (síndrome de Down)
Quem atende estas inclusões: APAE
Psicopedagoga: Neiva Seimentz
Regularidade de atendimento: quinzenal
Como é feito diagnóstico e atendimento: o aluno é encaminhado pelo professor através de relatório descrevendo sua dificuldade e é feito acompanhamento conforme necessidade apresentada.
Coordenadora: Daiane W Meireles
Regularidade do atendimento: semanal
Órgãos disponíveis pelo município para as inclusões: NAE e APAE
Regularidade de atendimento: quinzenal
Escola: EMEI CINDERELA
Endereço: Raposo Tavares 205 Vila Irma Sapiranga
Total de alunos: 182
Total Funcionários: 29
Turmas atendidas: 8 turmas (berçãrio, maternal 1, 2 e 3, Jardins Nível A e B)
Número de Inclusões: 1 (síndrome de Down)
Quem atende estas inclusões: APAE
Psicopedagoga: Neiva Seimentz
Regularidade de atendimento: quinzenal
Como é feito diagnóstico e atendimento: o aluno é encaminhado pelo professor através de relatório descrevendo sua dificuldade e é feito acompanhamento conforme necessidade apresentada.
Coordenadora: Daiane W Meireles
Regularidade do atendimento: semanal
Órgãos disponíveis pelo município para as inclusões: NAE e APAE
Escola: EMEI CINDERELA
Endereço: Raposo Tavares 205 Vila Irma Sapiranga
Total de alunos: 182
Total Funcionários: 29
Turmas atendidas: 8 turmas (berçãrio, maternal 1, 2 e 3, Jardins Nível A e B)
Número de Inclusões: 1 (síndrome de Down)
Quem atende estas inclusões: APAE
Psicopedagoga: Neiva Seimentz
Regularidade de atendimento: quinzenal
Como é feito diagnóstico e atendimento: o aluno é encaminhado pelo professor através de relatório descrevendo sua dificuldade e é feito acompanhamento conforme necessidade apresentada.
Coordenadora: Daiane W Meireles
Regularidade do atendimento: semanal
Órgãos disponíveis pelo município para as inclusões: NAE e APAE
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APRESENTAÇÃO DO ESTUDO DE CASO
O caso que pretendo apresentar é o da menina Évelyn de dois anos de idade.
Escola que frequenta: EMEI Cinderela - Sapiranga
Turma: Berçário/tarde
Dificuldade Apresentada: Síndrome de Down
Entidade que a auxilia: APAE
Atendimento que recebe: Estimulação precoce
Perfil dos pais: Tem consciência da necessidade da filha e não demonstram preconceitos aceitando a realidade da filha.
Continuação do estudo de caso...
A menina que estou acompanhando no estudo de caso chama-se Évelyn. Ela freqüenta nossa escola desde os cinco meses de vida. Agora faz um ano e quatro meses que está conosco na turma do Berçário. Com muito custo consegui entrevistar sua mãe para conhecer um pouco da Évelyn. Fiquei muito surpresa com a idade da mãe, ela tem apenas 19 anos. Fiquei intrigada, porque, normalmente, os pais de crianças com a síndrome de Down são de mais idade. A mãe é bastante expansiva e relatou-me todos os detalhes sobre a Évelyn.
Os pais de Évelyn são jovens e não são casados legalmente. Os pais são industriários, porém somente o pai trabalha. A mãe encarrega-se com a educação e “correrios” com a Évelyn, como a mãe mesma colocou. Atualmente a família mora com os avós paternos da Évelyn. Entretanto, estão alugando uma casa para eles para a próxima semana. Perguntada sobre a questão sócio-econômica da família, disse que não passam por necessidades, mas lamenta não poder trabalhar para melhorar um pouco a situação.
Falamos um pouco sobre como havia ocorrido a gravidez e se Évelyn tinha irmãos. A mãe relatou que havia engravidado antes da Évelyn, porém havia perdido a criança com quatro/cinco meses com constantes sangramentos ditos normais pelo seu médico. Engravidou de novo e a gravidez não teve problema algum. Évelyn nasceu de parto normal sem problemas. A surpresa ficou por conta do dia do nascimento de Évelyn quando demoraram para trazê-la para o quarto. A pediatra trouxe a notícia que a menina era portadora da síndrome de Down. Ela disse ter ficado chocada e só pensava em como lidar com isso. Lembrou que antes do nascimento havia se identificado com uma novela onde teria uma menina com a mesma síndrome e isto foi acontecer com ela. Depois disso o seu médico procurou razões para ter ocorrido o fato e ela disse que o médico chegou à conclusão que a carga genética dela está estruturada de forma diferente e que toda gravidez que ela tiver ela terá apenas duas situações: perder a criança (como já ocorreu)ou nascer com a síndrome de Down (o que aconteceu com a Évelyn). Ela diz ser uma pena , pois pensavam em ter mais filhos mais tarde. Depois que se deram conta da situação, a mãe passou a pesquisar muito na internet sobre a síndrome. Disse também ter contado com a ajuda da madrasta nesta procura e que virou uma “rata de consultório”. A cada consulta com o pediatra, ela questiona tudo o que podia e o médico sempre a ajudava e que também conversava muito com as mães que tinham o mesmo “problema” nas ante-salas. Ela deixou bem claro na entrevista que a Évelyn não tem problema nenhum que somente seu desenvolvimento é um pouco diferente/lento. Não aceita preconceito em relação à filha e não se sente bem quando enxerga nos outros o preconceito.
Évelyn, conforme a mãe relatou, tem a saúde fragilizada com baixa imunidade e que isto é característico da síndrome. Teve várias pneumonias ficando hospitalizada por várias vezes. O único medicamento constante dela é a bombinha para asma. Daí o motivo pelas faltas dela na escola. Ela não pensa duas vezes quando o tempo não está bom (frio e úmido) e acaba por ficar com ela em casa. Questionei com ela sobre as faltas e ela disse que isto era uma recomendação médica e disse ter atestado médico para frequentar a escola somente no período da tarde por motivo de saúde.
Passamos a conversar sobre os atendimentos/acompanhamentos que a Évelyn tem na escola e fora dela. Primeiramente colocou que ela só não tem mais atendimentos por falta de recurso e por estar na fila de espera de vários atendimentos. Por enquanto, a menina frequenta a APAE nas quartas-feiras com atendimento de Fonoaudióloga onde em meia hora fazem o que pode (lamenta o pouco tempo).Entretanto ela faz vários exercícios descritos pela especialista com a menina em casa. Já freqüentou o Projeto da Feevale onde fazia hidroginástica e fisioterapia, porém era um período curto.Depois de várias hospitalizações, necessitou de nutricionista para recuperar o peso ideal e sessões de quiropraxia pelo SUS, mas também por certo período. Atentou para a necessidade da quiropraxia ser acompanhada de exercícios feitos na fisioterapia. Enfim, são várias ajudas que ela precisaria estar recebendo conjuntamente para melhorar seu desenvolvimento. Perguntado se a família estava satisfeita com o atendimento que ela estava recebendo, a mãe colocou que o transporte ela consegue facilmente quando precisa e que também não necessita ficar na fila para conseguir consulta, consegue agendar as consultas.
Questionei também sobre as dificuldades que Évelyn apresentava em algumas áreas.Na área psicomotora a mãe revela que Évelyn regrediu um pouco, pois já estava conseguindo para de pé e agora está mais difícil. Quando fica de joelhos, ela chora. Assim, acaba ficando muito tempo sentada. Ela está fazendo rodinha em torno de si mesma estando sentada (a mãe disse ser um progresso dela). Na percepção, a menina é bem desenvolvida. Enxerga tudo. É detalhista nas pequenas coisas. Ouve normalmente quando é chamada. Na cognitiva é bastante esperta, presta atenção em tudo e gosta de imitar gestos feitos. Na área sócio-afetiva diz ser muito carinhosa, só não gosta que lhe apertem muito. Um ponto importante que a mãe disse é que procura educar a Évelyn normalmente. Que diz não quando precisa e que a menina sabe o que é não porque balança os dedinhos imitando a mãe. O médico disse à mãe que as crianças com síndrome de Down têm uma força maior que as crianças normais. Com isso, ela está preocupada em fazer com que a menina seja sempre dócil e meiga para que quando fosse contrariada não fizesse uso do tamanho da sua força (até futuramente ela lembrou disso).
Ao longo da entrevista, percebi a mãe muito segura e interessada na condição da menina. Continuando, perguntei o que a mãe espera para o futuro da menina e, com os olhos brilhantes, ela disse que a filha tenha uma vida normal, que consiga estudar e trabalhar... lembrou-se de uma conhecida com a síndrome que está quase se formando na faculdade e, isso é um incentivo pra lutar pelo futuro da filha. Conversamos também sobre como a Évelyn está na escola e como a mãe vê isso. Para ela, o que é mais importante nesse momento, é que a filha tenha contato com outras crianças, que não se sinta diferente e que já está percebendo progressos na parte motora e na linguagem dela.
Para terminar, lembrei-me de falar sobre algum auxílio que poderia conseguir para a menina e ela disse que já tentou aposentar a menina para conseguir um auxílio e que usaria isto nos atendimentos especializados que Évelyn não tem. O juiz decidiu negar porque não sabe se a Évelyn, quando adulta, poderá trabalhar ou não. A mãe achou a decisão incoerente. Já que iria usar o auxílio para melhorar o seu desenvolvimento e daí, quando chegasse a idade apropriada, ela poder trabalhar e ganhar seu dinheiro. A mãe relatou que tem também a carteira com passe livre nos ônibus, o que também ajuda bastante no orçamento. Por fim, entrevistei uma jovem mãe que aceitou o desafio que Deus lhe deu e está muito preocupada em educar a menina normalmente sem fazer diferença alguma.
COMPLEMENTAÇÃO DO ESTUDO DE CASO
Pesquisando com a professora responsável pela Évelyn, percebo que ela tem bom relacionamento com os professores e funcionários. Percebi que com os colegas de sala, nos momentos de brincadeiras, ela tem um certo receio de aproximação de outros colegas. Percebendo isto, a professora iniciou um trabalho com ela com o objetivo de socialização e aceitação de contato físico com os colegas.
Aos poucos, Évelyn passou a integrar-se com os colegas e está se aproximando deles para brincar e pegar os brinquedos que a interessa. No momento da chegada à escola, também está apresentando progressos, pois aceita a despedida da mãe sem problemas. Também conseguiu melhorar a motricidade fina onde consegue pegar os objetos com maior facilidade e, da mesma forma, aprimorou a coordenação motora tendo mais agilidade de locomover-se engatinhando e indo em busca dos brinquedos.
A escola está inserindo uma reunião mensal com o tema "Inclusão" onde são apresentados os progressos e dificuldades de cada caso (por enquanto, Évelyn é a única aluna de inclusão da escola).
Os exercícios de estimulação que estão sendo desenvolvidos com a Évelyn inclui massagens nos membros superiores e inferiores e, também, incentivos para que vá buscar objetos deixados longe de seu alcance gradativamente. Este último exercício ela realiza tanto sentada quanto na posição de bruços.
Com este tempo instável, a professora tornou a confirmar a falta de periodicidade das frequências de Évelyn na escola por temor da mãe em problematizar seu estado de saúde, no caso a asma.
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AVALIAÇÃO DO ESTUDO DE CASO
Conforme o texto solicitado para a leitura do propósito do fechamento do estudo de caso, a proposta de Educação Inclusiva não deve ser destinada apenas a um grupo de destemidos voluntários, mas é compromisso de todos os educadores comprometidos com um trabalho pedagógico com a tarefa de assumirem a causa dos alunos em situação de desvantagem. Deste modo, o enfrentamento com o inusitado e o desconhecido é um dos fatores que deixam os professores aterrorizados ao se depararem com alunos em situação de desvantagem em sala de aula. Uma das primeiras angústias apontadas é a respeito da falta de qualificação para tratar com este “tipo de aluno” e, também, apontam para a incapacidade da escola no atendimento destes alunos, no que se refere a recursos humanos e equipamentos. A transformação proposta pela Educação Inclusiva está em desacomodar todos os sujeitos envolvidos nas relações escolares, pois não são apenas os alunos em situação de desvantagem que precisam “estar inseridos”, são todos os sujeitos da prática educativa. Este aspecto está bem evidente no meu estudo de caso quando ao entrevistar a mãe percebo a sua participação efetiva na busca de melhores condições para a Évelyn.
A autora Lenise Pistóia coloca que “Educar na Diversidade pressupõe a adoção de um modelo de currículo que facilite a aprendizagem de todos os alunos e alunas em sua diversidade” E, para ensinar a turma toda, parte-se da certeza de que as crianças sempre sabem alguma coisa, de que todo educando pode aprender, mas no tempo e do jeito que lhe são próprios. É o que acontece com a Évelyn que está em fase de aprendizagem, porém no ritmo dela. O sucesso da aprendizagem está em explorar talentos, atualizar possibilidades e desenvolver predisposições naturais de cada aluno.
Em especial, no caso dos alunos com necessidades educativas especiais, Lenise diz que “a linguagem permite configurar um espaço de convivência que busca a interação”. Isto justifica, do mesmo modo, a convivência que, na visão da educação inclusiva, propõe espaços para a inserção de todos os alunos em situação de desvantagem, a partir de seus interesses e condições individuais. Conforme a mãe de Évelyn, seu maior interesse na escola é a interação com outras crianças e, sem a mãe saber, é o que de melhor ela pode estar oferecendo a essa criança, a interação, para que outras habilidades venham a acontecer.
Assim como as demais crianças da turma que Évelyn freqüenta, seu desenvolvimento é acompanhado através de pareceres descritivos onde são relatados seus progressos. Acredito que no caso, os pareceres descritivos são uma forma de avaliação positiva onde a mãe poderá acompanhar sua trajetória. O presente estudo de caso reflete uma realidade bastante comum encontrada em nosso cotidiano. O que não foi constatado é o descaso e a conformidade que, muitas vezes, iniciam-se na família e estendem-se aos demais segmentos da sociedade. Sabemos que existem iniciativas, que a lei ampara determinados direitos, mas ainda temos muito que evoluir e aprender para podermos oferecer uma verdadeira Educação Inclusiva justa e de qualidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A REDE DE INTERAÇÕES COMO CONCEPÇÃO PEDAGÓGICA: ALTERNATIVAS NO ESPAÇO DA SALA DE AULA COM ALUNOS EM SITUAÇÃO DE DESVANTAGEM
Lenise Henz Caçula Pistóia
DIVERSIDADE E CURRÍCULO Lenise Caçula Pistóia
Comments (7)
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 7:38 am on Apr 14, 2009
Olá, Sirlei, no teu relato percebemos uma vez mais, uqe os alunos aceitam os PNEEs, sem restrições,a sensibilidade deles em entender com tão pouca idade, que a coleguinha "diferente" precissava deles, devemos mostrar-les que fazer os temas pela colega não é ajudar, e sim ajuda-la na maneira de segurar os seus materiais para ela mesma fazer as atividades, é muito valioso. Sabes como ela esta desenvovendo na escola?.
Abraços
MAria del Carmen
liliana said
at 8:41 pm on Apr 23, 2009
Sirlei
vou destacar uma frase que colocastes "A menina tinha mais dificuldades para fazer os trabalhos porque ela tinha as mãozinhas viradas para trás o que dificultava segurar o material" meu questionamento, para que reflitas e investigues é: foram feitas adaptações no mobiliario, recursos pedagógicos e materiais? houve alguma tentativa de utilizar algum tipo de "tecnologia assistiva" para ajudar essa aluna? Se não conheces o que é tecnologia assistiva te sugiro que procures na internet, e coloques aqui os links que achares...tem muito material interessante e pode ajudar nos próximos casos que vivencies...fica o desafio!
abraços
lili
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 11:32 pm on May 14, 2009
Sirlei, como sempre falo o apoio da familia é muito importante para o desenvolvimento cognitivo e social dos PNEEs, e pelo teu relato esta menina o tem. Esperamos saber mais desta menina
Abraços
Maria del Carmen
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 9:39 pm on May 31, 2009
Olá, Sirlei, deves de falar um pouco mais do perfil da aluna Evelyn(atividade atrasada) e tambem da historia de vida dela (atividade em andamento)
Abraços
Maria del Carmen
sirlei.wsouza@... said
at 7:46 pm on Jun 2, 2009
Oi Maria del Carmem e Liliana!
Estou com dificuldade de complementar o estudo de caso, pois marquei uma entrevista com a mãe da Evelyn para saber mais dela. Entretanto, com esse "tempo bom" a mãe não está trazendo ela pra escola. Tenho que aguardar. Vou tentar conseguir mais dados com a professora e retorno então. Pode ser?
Abraços Sirlei
Maria del Carmen Cabrera Martins said
at 8:58 pm on Jun 9, 2009
Olá, Sirlei, parabens...muito boa a tua descrição do estudo de caso, completissima!!!.
Abraços
Maria del Carmen
liliana said
at 11:26 pm on Jun 24, 2009
Parabens Sirlei
agora falta somente a ultima unidade para fechar teu estudo de caso.,..bem completo!!
abraços
liliana
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